Estatísticas: Ibovespa do último pregão antes da votação ao primeiro pregão depois dela - turnos presidenciais de 2002 a 2022
O que o Ibovespa fez no pregão seguinte às eleições, de 2002 a 2022

O que o Ibovespa fez no pregão seguinte às eleições, de 2002 a 2022
Um levantamento do BTG Pactual mostra alta do índice depois de cinco dos seis primeiros turnos e queda depois de quatro dos seis segundos turnos. Seis eventos, no entanto, não formam uma previsão.
Toda eleição presidencial me traz a mesma pergunta, e ela chega antes da campanha começar. O cliente quer saber o que a bolsa faz depois da apuração. Com o calendário de 2026 à frente, a pergunta voltou. Um levantamento da equipe de Análise Técnica do BTG Pactual, assinado por Lucas Costa, CMT, e Gabriela Sporch, com dados de mercado da Bloomberg, ajuda a organizar essa conversa. O estudo mede uma coisa só, e mede bem: quanto o Ibovespa variou no pregão imediatamente seguinte a cada turno das eleições presidenciais entre 2002 e 2022.
O que o estudo mede
O método é simples de propósito. Os autores pegaram as datas do calendário eleitoral do TSE e olharam a janela que vai da sexta-feira anterior ao pregão de segunda, o primeiro dia útil depois da votação. Fizeram isso de duas formas: medindo da abertura de sexta até o fechamento de segunda, e medindo do fechamento de sexta até o fechamento de segunda. A amostra tem seis eleições (2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022), com o último evento encerrado em 31 de outubro de 2022.
Primeiro turno: alta em cinco das seis eleições
Na janela que começa na abertura de sexta, a variação média do Ibovespa no primeiro turno foi de +3,02%. Na janela que começa no fechamento de sexta, +2,07%. Nas duas medições, o índice subiu em cinco das seis eleições. A maior alta foi a de 2022, com +7,87%. A única queda registrada em primeiro turno aconteceu em 2002, com -3,15%.
Incluir o pregão inteiro de sexta-feira na conta eleva a média em cerca de um ponto percentual, sem alterar a contagem de altas e quedas. É um detalhe metodológico que vale registrar, porque mostra que o resultado não depende de onde exatamente a régua começa.
Segundo turno: o sinal se inverte
No segundo turno, o padrão vira. A variação média foi de -0,33% na janela da abertura de sexta e de -1,32% na janela do fechamento de sexta. O índice subiu em apenas duas das seis eleições, ou seja, caiu em quatro. A maior alta foi em 2010, com +1,76%. A pior leitura, outra vez, veio de 2002, com -2,38%.
O peso de um único ano
Aqui está o ponto que mais me chamou atenção. O ano de 2002 é simultaneamente a única queda do primeiro turno e a maior queda do segundo. Se ele sai da amostra, a média do primeiro turno sobe para +4,25% e a do segundo turno deixa de ser negativa, passando de -0,33% para +0,08%. A inversão de sinal com a retirada de um único evento diz muito sobre a fragilidade do agregado. Vale lembrar que isso é um teste de sensibilidade, não uma correção do dado: sobram cinco eventos, e a amostra fica ainda menor.
A dispersão conta a mesma história. O desvio-padrão amostral é de 4,02 pontos percentuais no primeiro turno e de 1,63 ponto percentual no segundo, ambos na janela da abertura de sexta. Uma média de +3,02% com desvio de 4 pontos não descreve um comportamento regular. Descreve resultados espalhados que, somados, deram positivo.
Por que isso não é previsão
Os próprios autores do levantamento são explícitos nisso, e acho importante repetir. Com seis eventos por turno, não é possível calcular índice de Sharpe nem avaliar significância estatística. Os números descrevem o que ocorreu e não indicam probabilidades para eleições futuras.
Há outra limitação que considero decisiva. O estudo usa apenas datas. Não entram no cálculo os candidatos nem o que diziam as pesquisas eleitorais. O resultado da apuração também fica de fora. Isso faz dele um exercício honesto de observação de calendário, e não uma leitura de cenário político. Rentabilidade passada do Ibovespa não garante rentabilidade futura, e seis observações de calendário muito menos.
O que fazer com essa informação
Uso dados assim pelo motivo oposto ao que costumam ser usados. Eles não servem para montar posição em função de uma data no calendário. Servem para mostrar ao cliente que o movimento de curto prazo em torno de eleição é errático, e que a sensação de padrão quase sempre vem de poucas observações bem contadas. Quem está desconfortável com a ideia de ver a carteira oscilar em outubro de 2026 tem uma conversa mais útil a fazer agora: revisar o horizonte de cada aplicação e quanto de oscilação cabe no seu perfil. Essa revisão não depende de prever o resultado da eleição, e é por isso que ela funciona. Se quiser fazer esse exercício em cima da sua carteira, é só me chamar.
Este conteúdo tem caráter educacional e reflete análise de cenário no momento da publicação. Não constitui recomendação personalizada de investimento. Decisões patrimoniais devem considerar o perfil, os objetivos e o horizonte de cada investidor.



