Primeiras leituras do resultado eleitoral - Análise XP!

Eleição, prêmio de risco e a decisão de alocar: a leitura do 1º turno

05 de outubro de 20264 min de leituraGustavo Trotta
Primeiras leituras do resultado eleitoral - Análise XP!

Eleição, prêmio de risco e a decisão de alocar: a leitura do 1º turno

Por que o Comitê de Alocação da XP vê espaço para um aumento disciplinado de risco nas carteiras, e o que ainda precisa acontecer para o cenário se confirmar

Escrevo no dia seguinte ao primeiro turno, e já começo com a ressalva que vale para tudo o que vem abaixo: o processo eleitoral não acabou. O segundo turno está marcado para 25 de outubro. O que mudou até aqui foi a distribuição de probabilidades entre os cenários possíveis, não o desfecho.

O que o domingo mostrou

Os candidatos de direita tiveram desempenho acima do que as pesquisas indicavam, tanto na disputa presidencial quanto na renovação do Senado. O Time de Alocação da XP leu esse resultado como um aumento da probabilidade de uma agenda mais favorável ao equilíbrio fiscal nos próximos anos.

Faço questão de separar duas coisas que costumam ser tratadas como uma só. Uma é o nome de quem vence. A outra é a trajetória que o país consegue construir para o crescimento das despesas e para o resultado primário, de modo a estabilizar a dívida. A segunda é a que interessa para quem investe, e ela não se decide numa noite de apuração.

Por que isso aparece no preço dos ativos

Os ativos não respondem apenas ao resultado fiscal corrente. Respondem à trajetória esperada. Quando o mercado passa a atribuir maior probabilidade a uma dívida que se estabiliza, o prêmio exigido para carregar risco brasileiro tende a ceder, e esse movimento se espalha pelas demais classes.

O detalhe que torna o momento relevante é o ponto de partida. Os prêmios de risco no Brasil estão em patamares elevados. Quanto maior o prêmio embutido hoje, maior o efeito de qualquer sinal consistente de melhora na dinâmica da dívida. O inverso também é verdadeiro, e é justamente por isso que a conversa seguinte é sobre disciplina.

O que o Comitê de Alocação sinalizou

O Comitê de Alocação da XP entende que há espaço para promover, de forma disciplinada, um aumento do nível de risco dos portfólios. A palavra que carrega o peso da frase é "disciplinada". As carteiras já vinham com exposição equilibrada a ativos brasileiros e com diversificação entre classes, preparadas para cenários alternativos. O movimento sugerido é gradual, não uma virada de mesa depois de uma apuração.

Se a melhora das expectativas se consolidar, o ambiente tende a ficar mais favorável à queda dos juros nominais e reais de prazo mais longo, com redução dos prêmios de risco domésticos.

Onde o efeito tende a ser maior

Na leitura do Time de Alocação da XP, a renda fixa prefixada é a classe mais sensível a uma queda de juros nominais, com destaque para os vencimentos intermediários e longos. Os ativos de risco Brasil tendem a se beneficiar de forma mais gradual, caso da renda variável local e dos fundos imobiliários de tijolo. As debêntures incentivadas entram na mesma lógica.

A renda fixa atrelada ao IPCA mantém a função de diversificar e de proteger o poder de compra, com benefício esperado em magnitude menor que o do prefixado. Já os pós-fixados tendem a perder atratividade relativa conforme a expectativa de queda da Selic se firma. Isso não os torna dispensáveis: seguem relevantes nos próximos meses, com redução gradual à medida que o cenário se confirme.

Nada disso é indicação de compra ou de venda. Cada uma dessas classes tem risco e liquidez próprios, e a adequação depende do perfil e da política de investimento de cada investidor. Vale lembrar também que o comportamento passado de qualquer classe de ativos não garante resultado futuro.

O que ainda não está decidido

A eleição altera as probabilidades dos cenários, mas não garante sua implementação. Entre o resultado das urnas e a execução de uma agenda existem a composição do Congresso, a formação de coalizão, a escolha da equipe econômica e o conteúdo das primeiras medidas. Cada um desses passos pode reforçar ou enfraquecer a leitura atual. O segundo turno de 25 de outubro é apenas o primeiro deles.

É por isso que prefiro tratar o tema como ajuste de probabilidade, e não como confirmação de rota. Quem decide a alocação inteira com base no resultado de um domingo fica sem margem para corrigir o caminho se os meses seguintes contarem outra história.

Conclusão prática

Gestão de portfólio se faz com prudência e serenidade, avaliando de forma não passional os cenários prospectivos. Na prática, o que tenho conversado com meus clientes segue três referências simples. O ponto de partida continua sendo o objetivo de longo prazo e a política de investimento de cada um, não a manchete da semana. Ajustes de risco, quando fizerem sentido para aquele perfil, entram aos poucos e com acompanhamento. E tentar antecipar o movimento de curtíssimo prazo costuma custar mais caro do que esperar o cenário se desenhar.

O Time de Alocação da XP segue monitorando os desdobramentos eleitorais e pode atualizar as recomendações conforme o quadro evolua. De minha parte, acompanho esse material de perto. Se você quiser revisar a sua carteira à luz desse cenário, me procure para conversarmos sobre o que faz sentido no seu caso.

Este conteúdo tem caráter educacional e reflete análise de cenário no momento da publicação. Não constitui recomendação personalizada de investimento. Decisões patrimoniais devem considerar o perfil, os objetivos e o horizonte de cada investidor.
Gustavo Trotta
Quem escreve
Gustavo Trotta

Assessor de investimentos e sócio da Valor Investimentos, escritório contratado da XP. Certificado CFP, atua com estratégia patrimonial e planejamento financeiro de longo prazo.

Sobre mim

O que isso muda na sua carteira

Cenário só vira decisão quando encontra um objetivo. Se quiser entender o que esta leitura significa no seu caso, me chame. A primeira conversa não tem custo e não tem apresentação de produto.

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